quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Confissões entre os anúncios de Nova Iorque



ROMA, terça-feira, 30 de agosto de 2011 (ZENIT.org) – Em Nova Iorque, a publicidade é uma arte. Em cada rua, vendedores, painéis luminosos e vitrines atraem transeuntes com comida, tecnologia e qualquer produto que se possa desejar. Deveria ser então surpreendente um grande cartaz vermelho numa igreja católica romana anunciando confissões? Francamente, eu fiquei estupefata. Correndo do museu para a biblioteca, para jantar com amigos, a última coisa em que eu pensava era no sacramento da reconciliação.
A paróquia de Santa Inês é uma elegante igreja no número 143 E da Rua 43, que o antigo prefeito de Nova Iorque, Ed Koch, descreveu como “a rua mais transitada do mundo”. A igreja oferece três horas de confissões e sete missas por dia. Intrigada, fui visitá-la. Anna Megan, que administra a igreja, me recebeu. A primeira coisa que ela fez foi destacar a importante localização da igreja. “A meia quadra da estação Grand Central e do outro lado da rua do edifício Chrysler, a Santa Inês está no centro do tráfego de viajantes e turistas”.
O número de fiéis de Santa Inês é pequeno, mas constante, em torno de 400 pessoas. Mas podem chegar a mais de 10.000 nas férias, quando as pessoas assistem às missas e se confessam nos dias festivos e nas viagens. Graças a este intenso fluxo, a interseção da igreja foi renomeada como Fulton Sheen Place em 1990, em homenagem ao grande comunicador católico.
Santa Inês foi construída em 1873 para os trabalhadores da estação Grand Central, mas pegou fogo em 1992. A igreja atual, reconstruída em 1998, foi remodelada seguindo o modelo do Gesù, uma das basílicas romanas mais conhecidas pelo sacramento da penitência. Durante 30 anos, Santa Inês ofereceu um horário regular de confissões diárias. É o resultado não só de uma iniciativa pastoral, mas também da insistência dos fiéis.
Visitei a paróquia à uma da tarde, quando começava a adoração eucarística, com a igreja cheia em três quartos da sua capacidade. Toda a diversidade étnica, econômica e estética de Nova Iorque se ajoelhava unida nos bancos. Jovens com idosos, tatuagens com véus, bolsas de grife com sacolas de papelão.
Há muitas outras igrejas que oferecem confissões regulares em Nova Iorque, é claro. A catedral de São Patrício oferece confissões durante as manhãs e no almoço, e o santuário de Santo Antônio as oferece com tanta frequência que é conhecido como o confessionário de Nova Iorque.
Mas depois de ver tantas igrejas fechadas durante todo o dia nos Estados Unidos, e os boletins paroquiais anunciando discretamente os horários de confissões (só aos sábados, de 3:15 a 3:30, ou mediante agendamento), Santa Inês é uma maravilha e um modelo para muitas.
Perguntei sobre as dificuldades de manter a igreja aberta todo o dia e de provê-la de padres para os sacramentos. Megan me disse que os fiéis colaboram para que a igreja fique aberta, custodiando o tabernáculo.
Embora só haja um sacerdote diocesano na paróquia, o padre Richard Adams, normalmente cinco ou seis padres de lugares como as Filipinas, Gana ou Birmânia ajudam com os sacramentos.
Esta disponibilidade dos sacramentos ficou tão popular que há sempre filas nos dois confessionários, e mais de uma vez foi chamado um padre na hora do almoço ou do jantar para atender alguma alma em trânsito. São João Maria Vianney ficaria muito orgulhoso.
Numa cidade em que cada canto oferece produtos para que a aparência das pessoas esteja sempre pronta para uma foto, Santa Inês promove um tratamento de limpeza muito mais profundo.
Por Elizabeth Lev

sábado, 27 de agosto de 2011

Dia de Santa Mônica mãe de Santo Agostinho

Dos Livros das Confissões, de Santo Agostinho, bispo
(Lib. 9,10-11: CSEL 33,215-219)
(Séc.V)
Procuremos alcançar a sabedoria eterna

Estando bem perto o dia em que ela deixaria esta vida – dia que conhecias e que ignorávamos – aconteceu por oculta disposição tua, como penso, que eu e ela estivéssemos sentados sozinhos perto da janela que dava para o jardim da casa onde nos tínhamos hospedado, lá junto de Óstia Tiberina. Ali, longe do povo, antes de embarcarmos, nos refazíamos da longa viagem. 
Falávamos a sós, com muita doçura e, esquecendo-nos do passado, com os olhos no futuro, indagávamos entre nós sobre a verdade presente, quem és tu, como seria a futura vida eterna dos santos, que olhos não viram, nem ouvidos ouviram nem subiu ao coração do homem (cf. 1Cor 2,9). Mas ansiávamos com os lábios do coração pelas águas celestes de tua fonte, fonte da vida que está junto de ti.
Eu dizia estas coisas, não deste modo nem com estas palavras. No entanto, Senhor, tu sabes que naquele dia, enquanto falávamos, este mundo foi perdendo o valor,junto com todos os seus deleites. Então disse ela: “Filho, quanto a mim, nada mais me agrada nesta vida. Que faço ainda e por que ainda aqui estou, não sei. Toda a esperança terena já desapareceu. Uma só coisa fazia-me desejar permanecer por algum tempo nesta vida: ver-te cristão católico, antes de morrer. Deus me atendeu coma maior generosidade, porque te vejo até como seu servo, desprezando a felicidade terena. Que faço aqui?” O que lhe respondi, não me lembro bem. Cinco dias depois, talvez, ou não muito mais, caiu com febre. Doente, um dia desmaiou, sem conhecer os presentes. Corremos para junto dela, mas recobrando logo os sentidos, viu-me a mime a meu irmão e disse-nos, como que procurando algo semelhante: “Onde estava eu?” Em seguida, olhando-nos, opressos pela tristeza, disse: “Sepultai vossa mãe”. Eu me calava e retinha as lágrimas. Mas meu irmão falou qualquer coisa assim que seria melhor não morrer em terra estranha, mas na pátria. Ouvindo isto, ansiosa, censurando-o como olhar por pensar assim, voltou-se para mim: “Vê o que diz”. Depois falou a ambos: “Ponde este corpo em qualquer lugar. Não vos preocupeis com ele. Só vos peço que vos lembreis de mim no altar de Deus, onde quer que estiverdes”. Terminando como pôde de falar, calou-se e continuou a sofrer com o agravamento da doença. Finalmente, no nono dia da sua doença, aos cinqüenta e seis anos de idade e no trigésimo terceiro da minha vida, aquela alma piedosa e santa libertou-se do corpo.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

JMJ-Oração com que o Papa consagrou jovens ao Coração de Jesus

Senhor Jesus Cristo, Irmão, Amigo e Redentor do Homem, olhai com amor os jovens aqui reunidos e abri para eles a fonte eterna da vossa misericórdia, que mana do vosso Coração aberto na Cruz. Dóceis ao vosso chamado, eles vieram para estar convosco e adorar-vos. Com ardente oração, eu os consagro ao vosso Coração, para que, enraizados e edificados em Vós, sejam sempre vossos, na vida e na morte. Que jamais se afastem de Vós!
Outorgai-lhes um coração semelhante ao vosso, manso e humilde, para que escutem a vossa vontade e sejam, no meio do mundo, louvor da vossa glória, de maneira que todos os homens, contemplando as suas obras, deem glória ao Pai, com quem viveis feliz para sempre, na unidade do Espírito Santo, pelos séculos dos séculos.
Amém.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Bento XVI anuncia lema da próxima JMJ 2013 no Rio

“Ide e evangelizai todos os povos”


CASTEL GANDOLFO, quarta-feira, 24 de agosto de 2011 (ZENIT.org) – O Papa Bento XVI anunciou hoje, ao término da audiência geral realizada no Palácio Apostólico de Castel Gandolfo, o lema escolhido para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) do Rio de Janeiro.
O lema será a passagem evangélica de Mateus 28, 19: “Ide, pois, fazer discípulos entre todas as nações”. A JMJ do Rio será realizada entre os dias 23 e 28 de julho de 2013, segundo informa L'Osservatore Romano.
O lema escolhido pelo Papa sublinha o caráter missionário da próxima JMJ, como já anunciou o arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta, na coletiva de imprensa realizada em Madri imediatamente depois do encerramento da JMJ 2011.
O Papa também anunciou o lema da JMJ do próximo ano que, como é tradição, será realizada nas dioceses no Domingo de Ramos de 2012: “Estai sempre alegres no Senhor!”, tirado da Carta aos Filipenses (4, 4).
“Desde já, confio à oração de todos a preparação destes importantes encontros”, disse o Papa aos fiéis reunidos no pátio de Castel Gandolfo.

domingo, 21 de agosto de 2011

JMJ - Homilia da missa de encerramento do Papa Bento XVI


Queridos jovens,
Com a celebração da Eucaristia, chegamos ao momento culminante desta Jornada Mundial da Juventude. Ao ver-vos aqui, vindos em grande número de todas as partes, o meu coração enche-se de alegria, pensando no afecto especial com que Jesus vos olha. Sim, o Senhor vos quer bem e vos chama seus amigos (cf. Jo 15, 15). Ele vem ter convosco e deseja acompanhar-vos no vosso caminho, para vos abrir as portas duma vida plena e tornar-vos participantes da sua relação íntima com o Pai. Pela nossa parte, conscientes da grandeza do seu amor, desejamos corresponder, com toda a generosidade, a esta manifestação de predilecção com o propósito de partilhar também com os demais a alegria que recebemos. Na actualidade, são certamente muitos os que se sentem atraídos pela figura de Cristo e desejam conhecê-Lo melhor. Pressentem que Ele é a resposta a muitas das suas inquietações pessoais. Mas quem é Ele realmente? Como é possível que alguém que viveu na terra há tantos anos tenha algo a ver comigo hoje?
No evangelho que ouvimos (cf. Mt 16, 13-20), vemos representadas, de certo modo, duas formas diferentes de conhecer Cristo. O primeiro consistiria num conhecimento externo, caracterizado pela opinião corrente. À pergunta de Jesus: «Quem dizem os homens que é o Filho do Homem?», os discípulos respondem: «Uns dizem que é João Baptista; outros, que é Elias; e outros, que é Jeremias ou algum dos profetas». Isto é, considera-se Cristo como mais um personagem religioso junto aos que já são conhecidos. Depois, dirigindo-se pessoalmente aos discípulos, Jesus pergunta-lhes: «E vós, quem dizeis que Eu sou?». Pedro responde formulando a primeira confissão de fé: «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo». A fé vai mais longe que os simples dados empíricos ou históricos, e é capaz de apreender o mistério da pessoa de Cristo na sua profundidade.
A fé, porém, não é fruto do esforço do homem, da sua razão, mas é um dom de Deus: «És feliz, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que to revelou, mas o meu Pai que está no Céu». Tem a sua origem na iniciativa de Deus, que nos desvenda a sua intimidade e nos convida a participar da sua própria vida divina. A fé não se limita a proporcionar alguma informação sobre a identidade de Cristo, mas supõe uma relação pessoal com Ele, a adesão de toda a pessoa, com a sua inteligência, vontade e sentimentos, à manifestação que Deus faz de Si mesmo. Deste modo, a pergunta de Jesus: «E vós, quem dizeis que Eu sou?», no fundo está impelindo os discípulos a tomarem uma decisão pessoal em relação a Ele. Fé e seguimento de Cristo estão intimamente relacionados.
E, dado que supõe seguir o Mestre, a fé tem que se consolidar e crescer, tornar-se mais profunda e madura, à medida que se intensifica e fortalece a relação com Jesus, a intimidade com Ele. Também Pedro e os outros apóstolos tiveram que avançar por este caminho, até que o encontro com o Senhor ressuscitado lhes abriu os olhos para uma fé plena.
Queridos jovens, Cristo hoje também se dirige a vós com a mesma pergunta que fez aos apóstolos: «E vós, quem dizeis que Eu sou?» Respondei-Lhe com generosidade e coragem, como corresponde a um coração jovem como o vosso. Dizei-Lhe: Jesus, eu sei que Tu és o Filho de Deus que deste a tua vida por mim. Quero seguir-Te fielmente e deixar-me guiar pela tua palavra. Tu conheces-me e amas-me. Eu confio em Ti e coloco nas tuas mãos a minha vida inteira. Quero que sejas a força que me sustente, a alegria que nuca me abandone.
Na sua reposta à confissão de Pedro, Jesus fala da sua Igreja: «Também Eu te digo: Tu é Pedro, e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja». Que significa isto? Jesus constrói a Igreja sobre a rocha da fé de Pedro, que confessa a divindade de Cristo.
Sim, a Igreja não é uma simples instituição humana, como outra qualquer, mas está intimamente unida a Deus. O próprio Cristo Se refere a ela como a «sua» Igreja. Não se pode separar Cristo da Igreja, tal como não se pode separar a cabeça do corpo (cf. 1 Cor 12, 12). A Igreja não vive de si mesma, mas do Senhor. Ele está presente no meio dela e dá-lhe vida, alimento e fortaleza.
Queridos jovens, permiti que, como Sucessor de Pedro, vos convide a fortalecer esta fé que nos tem sido transmitida desde os apóstolos, a colocar Cristo, Filho de Deus, no centro da vossa vida. Mas permiti também que vos recorde que seguir Jesus na fé é caminhar com Ele na comunhão da Igreja. Não se pode, sozinho, seguir Jesus. Quem cede à tentação de seguir «por conta sua» ou de viver a fé segundo a mentalidade individualista, que predomina na sociedade, corre o risco de nunca encontrar Jesus Cristo, ou de acabar seguindo uma imagem falsa d’Ele.
Ter fé é apoiar-se na fé dos teus irmãos, e fazer com que a tua fé sirva também de apoio para a fé de outros. Peço-vos, queridos amigos, que ameis a Igreja, que vos gerou na fé, que vos ajudou a conhecer melhor Cristo, que vos fez descobrir a beleza do Seu amor. Para o crescimento da vossa amizade com Cristo é fundamental reconhecer a importância da vossa feliz inserção nas paróquias, comunidades e movimentos, bem como a participação na Eucaristia de cada domingo, a recepção frequente do sacramento do perdão e o cultivo da oração e a meditação da Palavra de Deus.
E, desta amizade com Jesus, nascerá também o impulso que leva a dar testemunho da fé nos mais diversos ambientes, incluindo nos lugares onde prevalece a rejeição ou a indiferença. É impossível encontrar Cristo, e não O dar a conhecer aos outros. Por isso, não guardeis Cristo para vós mesmos. Comunicai aos outros a alegria da vossa fé. O mundo necessita do testemunho da vossa fé; necessita, sem dúvida, de Deus. Penso que a vossa presença aqui, jovens vindos dos cinco continentes, é uma prova maravilhosa da fecundidade do mandato de Cristo à Igreja: «Ide pelo mundo inteiro, proclamai o Evangelho a toda a criatura» (Mc 16, 15). Incumbe sobre vós também a tarefa extraordinária de ser discípulos e missionários de Cristo noutras terras e países onde há multidões de jovens que aspiram a coisas maiores e, vislumbrando em seus corações a possibilidade de valores mais autênticos, não se deixam seduzir pelas falsas promessas dum estilo de vida sem Deus.
Queridos jovens, rezo por vós com todo o afecto do meu coração. Encomendo-vos à Virgem Maria, para que Ela sempre vos acompanhe com a sua intercessão materna e vos ensine e fidelidade à Palavra de Deus. Peço-vos também que rezeis pelo Papa, para que, como Sucessor de Pedro, possa continuar confirmando na fé os seus irmãos. Que todos na Igreja, pastores e fiéis, nos aproximemos de dia para dia sempre mais do Senhor, para crescermos em santidade de vida e darmos assim um testemunho eficaz de que Jesus Cristo é verdadeiramente o Filho de Deus, o Salvador de todos os homens e a fonte viva da sua esperança. Amem.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

JMJ: Saudação do Papa às jovens religiosas

Queridas jovens religiosas!


No âmbito da Jornada Mundial da Juventude que estamos celebrando, sinto uma grande alegria por poder encontrar-me convosco, que consagrastes a vossa juventude ao Senhor, e agradeço-vos a amável saudação que me dirigistes. Agradeço ao Senhor Cardeal Arcebispo de Madrid por ter previsto este encontro num ambiente tão evocativo como é o do Mosteiro de São Lourenço do Escorial. Se a sua famosa Biblioteca guarda importantes edições da Sagrada Escritura e de Regras Monásticas de várias Famílias Religiosas, a vossa vida de fidelidade à vocação recebida é também uma maneira preciosa de guardar a Palavra do Senhor, que ressoa nas vossas formas de espiritualidade.
Queridas irmãs, cada carisma é uma palavra evangélica que o Espírito Santo recorda à sua Igreja (cf. Jo 14, 26). Não é em vão que a vida consagrada «nasce da escuta da Palavra de Deus e acolhe o Evangelho como sua norma de vida. Deste modo, viver no seguimento de Cristo casto, pobre e obediente é uma “exegese” viva da Palavra de Deus. (…) Dela brotou cada um dos carismas e dela cada regra quer ser expressão, dando origem a itinerários de vida cristã marcados pela radicalidade evangélica» (Exort. apostólica Verbum Domini, 83).
A radicalidade evangélica é estar «enraizados e edificados em Cristo, e firmes na fé» (cf. Col 2, 7), que, na vida consagrada, significa ir à raiz do amor a Jesus Cristo com um coração indiviso, sem nada antepor a esse amor (cf. São Bento, Regra, IV, 21), com uma doação esponsal como viveram os santos, vivida segundo o estilo de Rosa de Lima e Rafael Arnáiz, jovens patronos desta Jornada Mundial da Juventude. O encontro pessoal com Cristo que alimenta a vossa consagração deve revelar-se, com toda a sua força transformadora, nas vossas vidas; e adquire uma especial relevância hoje, quando se «constata uma espécie de “eclipse de Deus”, uma certa amnésia, senão mesmo uma verdadeira rejeição do cristianismo e uma negação do tesouro da fé recebida, com o risco de se perder a própria identidade profunda» (Mensagem para a XXVI Jornada Mundial da Juventude de 2011, 1). Face ao relativismo e à mediocridade, surge a necessidade desta radicalidade que testemunha a consagração como uma pertença a Deus sumamente amado.
A referida radicalidade evangélica da vida consagrada exprime-se na comunhão filial com a Igreja, casa dos filhos de Deus que Cristo edificou: a comunhão com os Pastores, que propõem, em nome do Senhor, o depósito da fé recebido através dos Apóstolos, do Magistério da Igreja e da tradição cristã; a comunhão com a vossa Família Religiosa, conservando agradecidas o seu genuíno património espiritual e apreciando também os outros carismas; a comunhão com outros membros da Igreja como os leigos, chamados a testemunharem a partir da sua específica vocação o mesmo evangelho do Senhor.
Finalmente a radicalidade evangélica exprime-se na missão que Deus vos quis confiar. Desde a vida contemplativa que, na própria clausura, acolhe a Palavra de Deus em silêncio eloquente e adora a sua beleza na solidão por Ele habitada, até aos mais diversos caminhos de vida apostólica, em cujos sulcos germina a semente evangélica na educação das crianças e jovens, no cuidado dos doentes e idosos, no acompanhamento das famílias, no compromisso a favor da vida, no testemunho da verdade, no anúncio da paz e da caridade, no trabalho missionário e na nova evangelização, e em muitos outros campos do apostolado eclesial.
Queridas irmãs, este é o testemunho da santidade a que Deus vos chama, seguindo de perto e incondicionalmente Jesus Cristo na consagração, na comunhão e na missão. A Igreja precisa da vossa fidelidade jovem, arraigada e edificada em Cristo. Obrigado pelo vosso “sim” generoso, total e perpétuo à chamada do Amado. Que Virgem Maria sustente e acompanhe a vossa juventude consagrada, com o ardente desejo de que interpele, encoraje e ilumine todos os jovens.
Com estes sentimentos, peço a Deus que recompense abundantemente a generosa contribuição da vida consagrada para esta Jornada Mundial da Juventude, e em seu nome vos abençoo de todo o coração. Muito obrigado.
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JMJ: Discurso do Papa aos professores universitários

Senhor Cardeal Arcebispo de Madrid,

Queridos Irmãos no Episcopado,
Queridos Padres Agostinianos,
Queridos professores e Professoras,
Distintas Autoridades,
Meus amigos!

Com regozijo esperava este encontro convosco, jovens professores das universidades espanholas, que prestais uma colaboração esplêndida para a difusão da verdade em circunstâncias nem sempre fáceis. Saúdo-vos cordialmente e agradeço as amáveis palavras de boas-vindas e também a música executada que ressoou maravilhosamente neste mosteiro de grande beleza artística, testemunho eloquente durante séculos de uma vida de oração e estudo. Neste lugar emblemático, razão e fé fundiram-se harmoniosamente na pedra austera para modelar um dos monumentos mais renomados de Espanha.
Saúdo também com particular afecto quantos participaram nestes dias no Congresso Mundial das Universidades Católicas, em Ávila, sob o lema: «Identidade e missão da Universidade Católica».
Encontrar-me aqui no vosso meio faz-me recordar os meus primeiros passos como professor na Universidade de Bonn. Quando ainda se sentiam as feridas da guerra e eram muitas as carências materiais, a tudo supria o encanto de uma actividade apaixonante, o trato com colegas das diversas disciplinas e o desejo de dar resposta às inquietações últimas e fundamentais dos alunos. Estauniversitas, que então vivi, de professores e estudantes que procuram, juntos, a verdade em todos os saberes ou – como diria Afonso X, o Sábio – esse «ajuntamento de mestres e escolares com vontade e capacidade para aprender os saberes» (Sete Partidas, partida II, título XXXI), clarifica o sentido e mesmo a definição da Universidade.
No lema da presente Jornada Mundial da Juventude - «Enraizados e edificados em Cristo, firmes na fé» (cf. Col 2, 7) -, podeis também encontrar luz para compreender melhor o vosso ser e ocupação. Neste sentido, como escrevi aos jovens na Mensagem preparatória para estes dias, os termos «enraizados, edificados e firmes» falam de alicerces seguros para a vida (cf. n. 2).
Mas onde poderão os jovens encontrar estes pontos de referência numa sociedade vacilante e instável? Às vezes pensa-se que a missão dum professor universitário seja hoje, exclusivamente, a de formar profissionais competentes e eficientes que satisfaçam as exigências laborais de cada período concreto. Diz-se também que a única coisa que se deve privilegiar, na presente conjuntura, é a capacitação meramente técnica. Sem dúvida, prospera na actualidade esta visão utilitarista da educação mesmo universitária, difundida especialmente a partir de âmbitos extra-universitários. Contudo vós que vivestes como eu a Universidade e que a viveis agora como docentes, sentis certamente o anseio de algo mais elevado que corresponda a todas as dimensões que constituem o homem. Como se sabe, quando a mera utilidade e o pragmatismo imediato se erigem como critério principal, os danos podem ser dramáticos: desde os abusos duma ciência que não reconhece limites para além de si mesma, até ao totalitarismo político que se reanima facilmente quando é eliminada toda a referência superior ao mero cálculo de poder. Ao invés, a genuína ideia de universidade é que nos preserva precisamente desta visão reducionista e distorcida do humano.
Com efeito, a universidade foi, e deve continuar sendo, a casa onde se busca a verdade própria da pessoa humana. Por isso, não é uma casualidade que tenha sido precisamente a Igreja quem promoveu a instituição universitária; é que a fé cristã nos fala de Cristo como o Logos por Quem tudo foi feito (cf. Jo1, 3) e do ser humano criado à imagem e semelhança de Deus. Esta boa nova divisa uma racionalidade em toda a criação e contempla o homem como uma criatura que compartilha e pode chegar a reconhecer esta racionalidade. Deste modo, a universidade encarna um ideal que não deve ser desvirtuado por ideologias fechadas ao diálogo racional, nem por servilismos a um lógica utilitarista de simples mercado, que olha para o homem como mero consumidor.
Aqui está a vossa importante e vital missão. Sois vós que tendes a honra e a responsabilidade de transmitir este ideal universitário: um ideal que recebestes dos vossos mais velhos, muitos deles humildes seguidores do Evangelho e que, como tais, se converteram em gigantes do espírito. Devemos sentir-nos seus continuadores, numa história muito diferente da deles mas cujas questões essenciais do ser humano continuam a exigir a nossa atenção convidando-nos a ir mais longe. Sentimo-nos unidos com eles, nesta cadeia de homens e mulheres que se devotaram a propor e valorizar a fé perante a inteligência dos homens. E, para o fazer, não basta ensiná-lo, é preciso vivê-lo, encarná-lo, à semelhança do Logos que também encarnou para colocar a sua morada entre nós. Neste sentido, os jovens precisam de mestres autênticos: pessoas abertas à verdade total nos diversos ramos do saber, capazes de escutar e viver dentro de si mesmos este diálogo interdisciplinar; pessoas convencidas sobretudo da capacidade humana de avançar a caminho da verdade. A juventude é tempo privilegiado para a busca e o encontro com a verdade. Como já disse Platão: «Busca a verdade enquanto és jovem, porque, se o não fizeres, depois escapar-te-á das mãos» (Parménides, 135d). Esta sublime aspiração é o que de mais valioso podeis transmitir, pessoal e vitalmente, aos vossos estudantes, e não simplesmente umas técnicas instrumentais e anónimas nem uns dados frios e utilizáveis apenas funcionalmente.
 Por isso, encarecidamente vos exorto a não perderdes jamais tal sensibilidade e encanto pela verdade, a não esquecerdes que o ensino não é uma simples transmissão de conteúdos, mas uma formação de jovens a quem deveis compreender e amar, em quem deveis suscitar aquela sede de verdade que possuem no mais fundo de si mesmos e aquele anseio de superação. Sede para eles estímulo e fortaleza.
Para isso, é preciso ter em conta, em primeiro lugar, que o caminho para a verdade completa empenha o ser humano na sua integralidade: é um caminho da inteligência e do amor, da razão e da fé. Não podemos avançar no conhecimento de algo, se não nos mover o amor; nem tampouco amar uma coisa em que não vemos racionalidade; porque «não aparece a inteligência e depois o amor: há o amor rico de inteligência e a inteligência cheia de amor» (Caritas in veritate, 30). Se estão unidos a verdade e o bem, estão-no igualmente o conhecimento e o amor. Desta unidade deriva a coerência de vida e pensamento, a exemplaridade que se exige de todo o bom educador.
Em segundo lugar, havemos de considerar que a verdade em si mesma está para além do nosso alcance. Podemos procurá-la e aproximar-nos dela, mas não possuí-la totalmente; antes, é ela que nos possui a nós e estimula. Na actividade intelectual e docente, a humildade é também uma virtude indispensável, pois protege da vaidade que fecha o acesso à verdade. Não devemos atrair os estudantes para nós mesmos, mas encaminhá-los para essa verdade que todos procuramos. Nisto vos ajudará o Senhor, que vos propõe ser simples e eficazes como o sal, ou como a lâmpada que dá luz sem fazer ruído (cf. Mt 5, 13).
Tudo isto nos convida a voltar incessantemente o olhar para Cristo, em cujo rosto resplandece a Verdade que nos ilumina; mas que é também o Caminho que leva à plenitude sem fim, fazendo-Se caminhante connosco e sustentando-nos com o seu amor. Radicados n’Ele, sereis bons guias dos nossos jovens. Com esta esperança, coloco-vos sob o amparo da Virgem Maria, Trono da Sabedoria, para que Ele vos faça colaboradores do seu Filho com uma vida repleta de sentido para vós mesmos, e fecunda de frutos, tanto de conhecimento como de fé, para vossos alunos.
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JMJ: Discurso do Papa na Acolhida aos Jovens em Madri

Queridos jovens amigos!

Agradeço as carinhosas palavras que me dirigiram os jovens representantes dos cinco continentes. Com afecto, saúdo a todos vós que estais aqui congregados - jovens da Oceania, África, América, Ásia e Europa – e também a quantos não puderam vir. Sempre vos tenho muito presente e rezo por vós. Deus concedeu-me a graça de vos poder ver e vos ouvir mais de perto, e de nos colocarmos juntos à escuta da sua Palavra.
Na leitura que há pouco foi proclamada, ouvimos uma passagem do Evangelho onde se fala de acolher as palavras de Jesus e de as pôr em prática. Há palavras que servem apenas para entreter, e passam como o vento; outras instruem, sob alguns aspectos, a mente; as palavras de Jesus, ao invés, têm de chegar ao coração, radicar-se nele e modelar a vida inteira. Sem isso, ficam estéreis e tornam-se efémeras; não nos aproximam d’Ele. E, deste modo, Cristo continua distante, como uma voz entre muitas outras que nos rodeiam e às quais estamos habituados. Além disso, o Mestre que fala não ensina algo que aprendeu de outros, mas o que Ele mesmo é, o único que conhece verdadeiramente o caminho do homem para Deus, pois foi Ele que o abriu para nós, que o criou para podermos alcançar a vida autêntica, a vida que sempre vale a pena viver em todas as circunstâncias e que nem mesmo a morte pode destruir. O Evangelho continua explicando estas coisas com a sugestiva imagem de quem constrói sobre a rocha firme, resistente às investidas das adversidades, contrariamente a quem edifica sobre a areia, talvez numa paisagem paradisíaca, poderíamos dizer hoje, mas que se desmorona à primeira rajada de ventos e fica em ruínas.
Queridos jovens, escutai verdadeiramente as palavras do Senhor, para que sejam em vós «espírito e vida» (Jo 6, 63), raízes que alimentam o vosso ser, linhas de conduta que nos assemelham à pessoa de Cristo, sendo pobres de espírito, famintos de justiça, misericordiosos, puros de coração, amantes da paz. Escutai-as frequentemente cada dia, como se faz com o único Amigo que não engana e com o qual queremos partilhar o caminho da vida. Bem sabeis que, quando não se caminha ao lado de Cristo, que nos guia, extraviamo-nos por outra sendas como a dos nossos próprios impulsos cegos e egoístas, a de propostas lisonjeiras mas interesseiras, enganadoras e volúveis, que atrás de si deixam o vazio e a frustração.
Aproveitai estes dias para conhecer melhor a Cristo e inteirar-vos de que, enraizados n’Ele, o vosso entusiasmo e alegria, os vossos anseios de crescer, de chegar ao mais alto, ou seja, a Deus, têm futuro sempre assegurado, porque a vida em plenitude já habita dentro do vosso ser. Fazei-a crescer com a graça divina, generosamente e sem mediocridade, propondo-vos seriamente a meta da santidade. E, perante as nossas fraquezas, que às vezes nos oprimem contamos também com a misericórdia do Senhor, sempre disposto a dar-nos de novo a mão e que nos oferece o perdão no sacramento da Penitência.
Edificando-a sobre a rocha firme, a vossa vida será não só segura e estável, mas contribuirá também para projectar a luz de Cristo sobre os vossos coetâneos e sobre toda a humanidade, mostrando uma alternativa válida a tantos que viram a sua vida desmoronar-se, porque os alicerces da sua existência eram inconsistentes: a tantos que se contentam com seguir as correntes da moda, se refugiam no interesse imediato, esquecendo a justiça verdadeira, ou se refugiam em opiniões pessoais em vez de procurar a verdade sem adjectivos.
Sim, há muitos que, julgando-se deuses, pensam que não têm necessidade de outras raízes nem de outros alicerces para além de si mesmo. Desejariam decidir, por si sós, o que é verdade ou não, o que é bom ou mau, justo ou injusto; decidir quem é digno de viver ou pode ser sacrificado nas aras de outras preferências; em cada momento dar um passo à sorte, sem rumo fixo, deixando-se levar pelo impulso de cada instante. Estas tentações estão sempre à espreita. É importante não sucumbir a elas, porque na realidade conduzem a algo tão fútil como uma existência sem horizontes, uma liberdade sem Deus. Pelo contrário, sabemos bem que fomos criados livres, à imagem de Deus, precisamente para ser protagonistas da busca da verdade e do bem, responsáveis pelas nossas acções e não meros executores cegos, colaboradores criativos com a tarefa de cultivar e embelezar a obra da criação. Deus quer um interlocutor responsável, alguém que possa dialogar com Ele e amá-Lo. Por Cristo, podemos verdadeiramente consegui-lo e, radicados n’Ele, damos asas à nossa liberdade. Porventura não é este o grande motivo da nossa alegria? Não é este um terreno firme para construir a civilização do amor e da vida, capaz de humanizar todo homem?
Queridos amigos, sede prudentes e sábios, edificai as vossas vidas sobre o alicerce firme que é Cristo. Esta sabedoria e prudência guiará os vossos passos, nada vos fará tremer e, em vosso coração, reinará a paz. Então sereis bem-aventurados, ditosos, e a vossa alegria contagiará os outros. Perguntar-se-ão qual seja o segredo da vossa vida e descobrirão que a rocha que sustenta todo o edifício e sobre a qual assenta toda a vossa existência é a própria pessoa de Cristo, vosso amigo, irmão e Senhor, o Filho de Deus feito homem, que dá consistência a todo o universo. Ele morreu por nós e ressuscitou para que tivéssemos vida, e agora, junto do trono do Pai, continua vivo e próximo a todos os homens, velando continuamente com amor por cada um de nós.
Confio os frutos desta Jornada Mundial da Juventude à Santíssima Virgem, que soube dizer «sim» à vontade de Deus e nos ensina, como ninguém, a fidelidade ao seu divino Filho, que acompanhou até à sua morte na cruz. Meditaremos tudo isto mais pausadamente ao longo das diversas estações da Via-Sacra. Peçamos para que o nosso «sim» de hoje a Cristo seja também, como o d’Ela, um «sim» incondicional à sua amizade, no fim desta Jornada Mundial e durante toda a nossa vida. Muito obrigado!

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

15 mil jovens brasileiros na JMJ em Madri

 

Cachoeira Paulista, 18 Ago. 11 / 10:03 am (ACI)
Quinze mil jovens brasileiros estão presentes na 26ª edição da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), um evento da Igreja Católica que começou no dia 16/8, em Madri, Espanha e que a partir de hoje, conta com a presença de Bento XVI.
Em 1985, o Papa João Paulo II, que tinha grande carisma com a juventude, instituiu a Jornada Mundial da Juventude, que desde o início conta com a participação de jovens do mundo todo. O objetivo era mobilizar a nova geração de católicos em torno de um evento idealizado para a juventude por meio da oração, catequese, adoração, palestras, partilhas, shows e celebrações eucarísticas. A última jornada foi em Sydney, na Austrália, em 2009, e a próxima será no Brasil.
A Comissão Episcopal da Juventude da CNBB marca presença com uma delegação de 400 jovens de todas as dioceses do Brasil para o evento que, nos próximos dias, vai reunir mais de um milhão de jovens dos cinco continentes para um encontro com o Papa Bento XVI.
O Sistema Canção Nova de Comunicação (TV, Rádio FM e AM, Portal e WebTV), faz a cobertura completa da JMJ. Programas especiais sobre jornadas anteriores e flashs ao vivo serão constantes; a Canção Nova irá retransmitir toda a programação gerada pelo Centro Televisivo Vaticano (CTV).
Além disso, o site http://destrave.cancaonova.com, lançado recentemente pelo Portal Canção Nova, realiza a cobertura passo a passo e traz como destaque o espaço colaborativo, em que os internautas que estiverem em Madri poderão compartilhar todo o conteúdo em texto, imagem ou vídeo.
A cobertura da Jornada está sendo feita também pelo http://noticias.cancaonova.com, com matérias sobre os discursos do pontífice. Os vídeos produzidos por ocasião da JMJ serão disponibilizados no endereço: http://webtvcn.com/canal/jmj_2011

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Bispos brasileiros ministram catequeses na JMJ em Madri



SÃO PAULO, terça-feira, 16 de agosto de 2011 (ZENIT.org) – Dos mais de 60 bispos brasileiros presentes na Jornada Mundial da Juventude (JMJ), pelo menos sete ajudarão ministrando catequeses, nas manhãs dos dias 17 a 19, a exemplo de vários outros bispos de todo o mundo.
Cada bispo dará três catequeses, mudando de lugar e de grupo a cada dia, segundo informa a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).
O arcebispo de São Paulo, cardeal Odilo Pedro Scherer; o arcebispo de Salvador, Dom Murilo Sebastião Ramos Krieger; o arcebispo de Belém, Dom Alberto Taveira Corrêa; o arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta; o bispo de Caxias do Maranhão, Dom Vilsom Basso; o bispo de Caruaru, Dom Bernardino Marchió, e o bispo auxiliar de Campo Grande, são os brasileiros que darão catequese na JMJ.
As catequeses reunirão grupos de jovens por línguas e abordarão os temas “Firmes na fé” (dia 17); “Enraizados em Cristo” (dia 18) e “Testemunhos de Cristo no Mundo”, tirados do tema geral da Jornada, “Enraizados e edificados em Cristo, firmes na fé”, definido pelo Papa Bento XVI.
Realizadas em igrejas, auditórios, colégios e ginásios poliesportivos, as conferências começam às 10h (5h de Brasília) e vão até às 12h30 (7:30h de Brasília), quando o bispos palestrante preside à missa de encerramento.
Segundo o programa estabelecido, cada bispo fala 30 minutos. Em seguida, os jovens têm reflexão pessoal seguida de perguntas ao bispo catequista. Os primeiros 45 minutos são dedicados à acolhida com cantos, testemunhos, orações e confissões.

domingo, 14 de agosto de 2011

Rio de Janeiro será a sede da próxima JMJ 2013, confirma o Vaticano

Vaticano, 12 Ago. 11 / 07:26 pm (ACI/Europa Press)
Esta sexta-feira o porta-voz da Santa Sé, o Pe. Federico Lombardi, confirmou que o Rio de Janeiro será a sede da 28ª Jornada Mundial da Juventude (JMJ) no ano 2013, e precisou que esta será celebrada em sede internacional um ano antes para não coincidir com o Mundial de Futebol, que terá lugar em 2014 no Brasil.
Embora seja tradição que o Santo Padre anuncie a sede da seguinte JMJ ao concluir a Eucaristia de encerramento da jornada, nesta ocasião foi confirmada previamente a sede do seguinte encontro internacional.
Na quinta-feira 11 de agosto, fontes diplomáticas confirmaram à Europa Press que o governador de Estado do Rio de Janeiro (Brasil), Sergio Cabral, e o prefeito da cidade, Eduardo Paes, viajarão a Madri na próxima semana para comparecer aos atos que estarão sendo celebrados por ocasião da Jornada Mundial da Juventude (JM), que se realiza entre os dias 16 e 21 de agosto.
Assim, está previsto que tanto o governador como o prefeito do Rio de Janeiro estejam presentes nos eventos centrais celebrados com o Papa Bento XVI.
O Pontífice chegará na próxima quinta-feira 18 a Madri onde lhe aguarda uma cerimônia de boas-vindas na Praça de Cibeles, a Via Sacra no Passeio dos Recoletos, e a Vigília e a Missa 'de envio' no aeródromo de Quatro Ventos.
Também participarão de alguns dos eventos da JMJ com Bento XVI o chefe da Secretaria Geral da Presidência da República do Brasil, Gilberto Carvalho, e a secretária nacional de Juventude da Presidência da República, Severo Carmen Maceado, conforme informaram à Europa Press as próprias fontes.
No momento, há ao redor de 14 mil jovens brasileiros inscritos na Jornada, um cifra superada só pela Espanha, a Itália, a França, os EUA e a Alemanha.
Segunda cidade latino-americana a sediar a JMJ
Deste modo, depois de Buenos Aires (1987), a cidade brasileira será segunda da América do Sul em celebrar o encontro internacional. Com a de Madrid já foram celebradas 26 JMJs, todas elas presididas pelo Papa e onze delas fora do Vaticano.
Estas são: Buenos Aires (Argentina), Santiago de Compostela (Espanha), Czestochowa (Polônia), Denver (Estados Unidos), Manila (Filipinas), Paris (França), Roma (Itália), Toronto (Canadá), Colônia (Alemanha) e Sydney (Austrália). Perto de 20 milhões de jovens foram a estes encontros internacionais.
As Jornadas Mundiais da Juventude nasceram em 1984 por iniciativa do Papa João Paulo II. A primeira teve lugar em Roma no domingo de Ramos do mencionado ano, no contexto das celebrações setoriais do Ano Santo Jubilar da Redenção (1983-1984).
Diante do êxito da convocatória e das urgências eclesiásticas da Pastoral de Juventude, João Paulo II as instituiu com caráter permanente. Cada encontro internacional tem como lema uma frase Bíblica e todos contam, além disso, com um hino. Ambos convidam os jovens a refletirem sobre o Evangelho.
Anualmente as Jornadas são celebradas em cada diocese; entretanto, a cada dois ou três anos se organiza um evento internacional em uma cidade do mundo. A celebração se prolonga durante uma semana e inclui encontros religiosos, culturais e festivos, e conclui com uma Vigília e a Eucaristia presidida pelo Sumo Pontífice.
O primeiro dos encontros internacionais ocorreu em 1987 em Buenos Aires, onde um milhão de pessoas foram convocadas pelo Papa João Paulo II para "construir uma sociedade melhor".
Dois anos mais tarde, depois da capital Argentina, realizou-se em Santiago da Compostela, onde milhares de jovens peregrinos se reuniram com o Papa no Monte do Gozo.
A seguinte parada teve lugar em 1991 na cidade polonesa de Czestochowa, que representou a primeira reunião de João Paulo II com milhares de jovens em um país da Europa do Leste. À JMJ de Denver em 1993 compareceram meio milhão de jovens, convocados às Montanhas Rochosas, e foi a edição em que João Paulo II instaurou a Via Sacra.
A JMJ de 1995 se celebrou em Manila, a mais multitudinária da história com cinco milhões de assistentes. Dois anos mais tarde, em 1997, Paris foi a capital escolhida para festejar a XII Jornada Mundial da Juventude. Em 2000, coincidindo com o Jubileu, três milhões de jovens de todo o mundo atenderam o chamado do Papa e foram a Roma.
Toronto 2002 foi a última JMJ internacional à qual compareceu João Paulo II, já que faleceu meses antes da celebração da JMJ em Colônia, 2005. A esta foi o atual Pontífice, Bento XVI, para reunir-se com mais de dois milhões de jovens.
A cidade australiana de Sydney, em 2008, foi o último encontro internacional anterior ao de Madri.

sábado, 13 de agosto de 2011

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Decreto sobre indulgência plenária para JMJ 2011

Concede-se a Indulgência Plenária aos fiéis que, em ocasião da 23ª Jornada Mundial da Juventude, estarão em Madri em espírito de peregrinação; também poderão conseguir a indulgencia parcial todos aqueles que, onde quer que estejam, rezarão pelos propósitos espirituais deste encontro e para o seu feliz êxito.
Chegou à Penitenciaria Apostólica a suplica de Sua Eminência Reverendíssima Antonio Maria Rouco Varela, cardeal arcebispo de Madrid e Presidente da Conferencia dos Bispos da Espanha, para que os jovens pudessem obter os esperados frutos de santificação da 23ª Jornada Mundial da Juventude, que se celebrará de 16 a 21 de agosto, na capital, e que terá como tema: “Enraizados e fundamentados em Cristo, firmes na fé” (cfr Col 2,7).
A Penitenciária Apostólica, tendo exposto ao Santo Padre estas considerações, foi munida de faculdades especiais para conceder, mediante o presente Decreto, o dom da Indulgência, segundo a mente do próprio Pontífice, como se segue:
Concede-se a Indulgência Plenária aos fiéis que devotamente participarão a todas as funções sacras ou exercícios que se desenvolverão em Madrid durante a 23ª Jornada Mundial da Juventude até a sua conclusão solene, fazendo, além disso, a confissão, e depois disso recebendo a Santa Comunhão e a oração pelas intenções de Sua Santidade.
Concede-se a Indulgência parcial aos fiéis, onde quer que se encontrem, durante o referido encontro, desde que com a alma contrita elevem as suas orações a Deus Espírito Santo, a fim que os jovens sejam motivados pela caridade e tenham a força para anunciar com a própria vida o Evangelho.
A fim que depois os fiéis possam mais facilmente tornar-se participantes destes dons celestes, os sacerdotes legitimamente aprovados para a escuta das confissões sacramentais, com alma pronta e generosa, se prestem a recebê-las e proponham aos fiéis orações publicas para o bom êxito da “Jornada Mundial da Juventude”.
 O presente decreto tem validade para esta ocasião. Mesmo diante de qualquer contrária disposição Roma, da Sede da Penitenciária Apostólica, 2 de agosto, ano da Encarnação do Senhor 2011, na pia memória da “Porciùncola”.

FORTUNATO Card. BALDELLI
Penitenciário Maior

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

João Paulo II "volta" ao México no dia 17 de agosto

MEXICO D.F., 06 Ago. 11 / 10:54 am (ACI/EWTN Noticias)
A Conferência do Episcopado Mexicano (CEM) informou hoje que no próximo 17 de agosto chegarão ao México as relíquias do Beato João Paulo II que percorrerão o país por um período de 4 meses.
A secretaria geral da CEM divulgou um comunicado no qual assinala que as relíquias do Papa peregrino, que visitou o México em cinco oportunidades, chegam ao país depois do pedido dos bispos às Congregações para o Culto Divino e para as Causas dos Santos no Vaticano.
A peregrinação, indica o texto, começará na quinta-feira 25 de agosto na Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe no Distrito Federal.
As relíquias de primeiro grau consistem em uma cápsula que contém sangue do recordado Beato, que estará acompanhada de uma figura de cera do Pontífice polonês.
Os bispos exortam os fiéis do México a fazerem deste acontecimento "uma grande oportunidade para aprofundar o legado que nos deixou o Beato João Paulo II, que foi capaz de mudar o rosto da Igreja ao início do Terceiro Milênio, que transformou vidas humanas e influiu na vida de muitas nações com a força do Evangelho".

sábado, 6 de agosto de 2011

Missa da Transfiguração do Senhor - 2011

Neste sábado, dia 06 de agosto, celebramos a Festa da Transfiguração do Senhor com uma missa na Paróquia São José, no setor sul de Goiânia. A missa foi presidida pelo Mons. João Daiber.
Veja as fotos abaixo:







sexta-feira, 5 de agosto de 2011

A Virgem Maria no Movimento da Transfiguração


O Movimento da Transfiguração tem a sua relação mariana especialmente a partir da forma como Maria é revelada no evangelho de João. O ícone de Maria Mãe da Ternura (acima) revela Maria com um olhar sofrido, e, ao invés dela estar abraçando o Menino Jesus, é Jesus que a abraça para consolá-la. Neste ícone percebemos que Maria acompanha Jesus no seu coração, desde a sua concepção até a sua ressurreição. Ela, assim, está unida a ele em todo o tempo e com todo o seu coração. Podemos dizer que ela vivenciou a mística mais profunda e intensa que uma criatura pode ter na sua vida com Deus. Desta forma, ela foi divinizada; ela é a criatura transfigurada por excelência.
Maria, a Mãe da Ternura, é, para nós do Movimento, tão profundamente ligada à pessoa de Jesus, que não poderíamos dizer que ela é apenas um aspecto da nossa espiritualidade, ou uma devoção simplesmente. Ela é, na verdade, parte integrante e essencial na busca da nossa comunhão com Deus, na pessoa de Jesus. Por desígnio de Deus, não podemos nos unir plenamente a Jesus sem aquela que diz: “eles não têm mais vinho”. E também diz: “fazei tudo o que ele vos disser.” (Jo 2, 3.5).
O papel de Maria, em todo o quarto evangelho, é marcado por dois pontos fundamentais: o primeiro nas Bodas de Caná, que é o primeiro dos sinais de Jesus; e o segundo, quando Jesus chegou na sua “hora”. A “hora”, no evangelho de João, é a cruz e a ressurreição de Jesus. E nessa “hora” Maria está aos pés da cruz: “Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe e a irmã de sua mãe, Maria de Cléofas, e Maria Madalena. Jesus, ao ver sua mãe e, ao lado dela, o discípulo que ele amava, disse à mãe: “Mulher, eis o teu filho!”Depois disse ao discípulo: “Eis a tua mãe!”A partir daquela hora, o discípulo a acolheu na sua casa” (Jo 19,25-27)
A Virgem Maria é muito mais do que uma mulher atenta às necessidades, e por isso pede a intervenção de Jesus. É aquela que o introduz na sua revelação como Messias, esposo do seu povo (Bodas de Caná). Ela também está presente na hora da consumação da grande obra de revelação de Jesus, no alto da cruz. Assim, ela está no início e no final. No evangelho de João, isso significa que ela está em todos os momentos, e é de fundamental importância que o discípulo amado a receba na sua casa. O discípulo amado, como vemos no final do evangelho, é aquele que, entre os discípulos, tem a compreensão mais profunda do mistério de Jesus. Com isso, concluímos que existe algo no conhecimento de Jesus que só é revelado quando recebemos Maria em nossa casa. O quarto evangelho deixa claro que o conhecimento intenso, profundo e místico da pessoa de Jesus é feito com a ajuda de Maria.
Por isso, percebemos que todos os membros do Movimento da Transfiguração devem cultivar uma autêntica e profunda relação filial com a Virgem Maria, através de suas devoções particulares como terço, ladainha, novenas, oficio de Nossa Senhora e tantas outras devoções marianas salutares. Mas, de forma especial, devemos cultivar um relacionamento com Maria a partir da Bíblia – especialmente no quarto evangelho –, através dos ícones e na liturgia da Igreja.
O nosso amor a Maria como nossa mãe, como aquela que acolhemos na casa do nosso coração, lugar onde dialogamos diariamente com ela com o título de Virgem da Ternura (ícone acima), é um grande e essencial meio para a transfiguração das nossas vidas. Por isso, devemos pedir todos os dias: Óh mãe querida e amável revela-nos Jesus!

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Explicação do ícone da Transfiguração







O ícone da Transfiguração de Jesus  (Mc 9,2-8) 

1) Nesse texto de hoje faremos uma experiência de leitura diferente: será uma Lectio divina a partir do ícone da Transfiguração (acima). Na igreja oriental os ícones são compreendidos como palavra de Deus. Por isso, para eles, o ícone não é pintado, mas sim escrito por um iconógrafo, que, após passar meses meditando um texto bíblico, acompanhado de jejum e oração, escreve-o (pinta) sobre a madeira.
Este ícone da Transfiguração em anexo é russo. Foi adquirido em Belém, na Terra Santa. Ele é de uma beleza impressionante! Por isso, faremos a leitura do texto junto com a contemplação do ícone, versículo por versículo.
2) “Seis dias depois, Jesus levou consigo Pedro, Tiago e João e os fez subir a um lugar retirado, no alto de uma montanha, a sós. Lá, ele foi transfigurado diante deles.” Esse termo “seis dias depois” faz ligação com a profissão de Pedro em Cesaréia de Felipe, onde ele proclama em nome de todos os discípulos: “tu és o Cristo” (Mc 8,29). Esta ligação deseja exprimir que a transfiguração é o um momento de revelação da identidade de Jesus.
Os três discípulos que presenciam a Transfiguração – Pedro, Tiago e João – são os mesmos que contemplaram dois outros episódios: a ressurreição da filha de Jairo (Mc 5, 21-43) e o momento da agonia no Monte das Oliveiras (Mc 14, 32-42). Podemos dizer que esses três são os “escolhidos dos escolhidos” para serem testemunhas desses eventos únicos.
Passemos para o ícone e vamos localizar cada um dos três discípulos. O primeiro do qual falaremos será São Tiago. Ele é o discípulo que está no centro e usa um manto vermelho que simboliza a glória do martírio. Ele foi o primeiro dos doze a ser martirizado, no ano 42 d.C. (cf. At 12,2). O segundo apóstolo, que está à direita de São Tiago, é São Pedro: ele tem o braço estendido como quem fala, porque é ele que diz: “é bom, Senhor, estarmos aqui, façamos três tendas; uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias.” Ele também tem um manto vermelho, que simboliza o martírio. Segundo a tradição, ele foi martirizado no ano 64 d.C., em Roma.
O terceiro apóstolo é São João. Ele é o que não tem o manto vermelho. Foi o único entre os doze que não sofreu o martírio. Sua posição no ícone é peculiar, porque está olhando para Jesus transfigurado. É uma atitude profundamente contemplativa. Na representação dos animais do apocalipse – que estão ao redor do trono de Deus (Ap 4, 6-11) e que, ao longo do tempo, foram identificados como os evangelistas – João é a águia. Para os antigos, a águia era o único animal que podia olhar o sol diretamente. Assim, João foi reconhecido como o grande místico, que podia olhar diretamente para Jesus transfigurado: Aquele que é mais luminoso do que o sol e sempre foi aclamado como Sol da Justiça. É por isso que João pode dizer com propriedade na sua carta: “...Deus é luz e nele não há treva alguma” (I Jo 1, 1-5).
A alta montanha, desde os primórdios do cristianismo, foi identificada como sendo o Monte Tabor: uma elevação de 588 metros, na planície da Galileia. De lá temos uma belíssima visão de toda a região. Nela hoje está construída a Basílica da Transfiguração que, seguindo o desejo de São Pedro, foi edificada como se fossem três tendas: a nave central é a de Jesus e as duas capelas laterais são dedicadas a Moisés e Elias, formando assim um conjunto de três tendas.
3) “Sua roupa ficou muito brilhante, tão branca como nenhuma lavadeira na terra conseguiria torná-la assim.” Este versículo, juntamente com a última frase do versículo passado que não comentamos – “Lá, ele foi transfigurado diante deles” – são a imagem central do ícone. Jesus, por alguns instantes, revela sua identidade de Filho de Deus – que é sua identidade mais profunda – e os discípulos percebem esta identidade num mistério de luz. Os discípulos vêem o que Jesus afirmou no evangelho de João: “eu sou a luz do mundo”. (Jo 8,12).
Ao contemplarmos o ícone, percebemos que tudo nele emana luz. Não é uma luz natural como a do sol, ou artificial como a de uma lâmpada. É a luz da glória de Deus. Na Transfiguração, uma janela do céu, da eternidade se abre e nós podemos entrever a luz da glória eterna.
Centremos-nos em dois tipos de raios de luz que, no ícone, emanam de Jesus: primeiro, o raio circular verde: é o circulo da verdade, que ilumina o intelecto humano revelando-o a verdade. O próprio Jesus também diz: “eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14,6). E também diz: “conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (Jo 8,32). Este é o caminho contemplativo da verdade, que ilumina a inteligência humana e a diviniza.
O segundo tipo de raio são representados pelos três raios de cor avermelhada que descem em direção aos discípulos. Esses raios têm a cor do coração humano, e infundem o amor divino no coração dos discípulos. Este é o caminho contemplativo do coração, que diviniza o coração humano. Podemos até ver um simbolismo complementar a este, onde esses três raios são as três virtudes teologais: a fé, a esperança e a caridade.
Como percebemos neste ícone, podemos mergulhar no profundo mistério de Deus revelado em Jesus através dos dois grandes caminhos contemplativos, que não se contradizem e sim se complementam: o caminho da verdade e o caminho do amor. A complementaridade se dá porque o amor protege a inteligência humana da ideologia, que é uma teoria fora da realidade. E a verdade protege o coração humano do sentimentalismo, que é uma deformação do amor.
4) “Apareceram-lhes Elias e Moisés, conversando com Jesus.” Neste momento em que a janela do céu se abre, dois personagens centrais do Antigo Testamento aparecem para confirmar e testemunhar Jesus como a plenitude da revelação. No ícone, vamos perceber que, apesar da Transfiguração acontecer no Monte Tabor, Moisés e Elias são retratados em outros montes. Esta é uma forma de leitura espiritual do texto sagrado: para nos mostrar que cada um desses personagens teve revelações de Deus num monte, porém distinto do monte Tabor.
Vejamos Moisés. No ícone, ele é o que segura um livro. Este representa a Lei que Moisés recebeu no Monte Sinai (Ex 34). Moisés está com a cabeça inclinada e apontando o livro da Lei para Jesus, mostrando que, em Jesus, a Lei é realizada e plenificada. Do outro lado está o profeta Elias, que também fez uma peregrinação ao Monte Sinai (Horeb) e lá tem um profundo encontro com Deus que vai confirmar sua vocação como profeta (cf. I Rs 19). Ele está com a mão apontada para Jesus e com a cabeça inclinada, mostrando que, em Jesus, todas as profecias se realizaram.
Tudo isso está envolvido num diálogo profundo de Moisés e Elias com Jesus. No evangelho de Lucas é revelado o conteúdo deste diálogo: “falavam do seu êxodo que se consumaria em Jerusalém” (Lc 9,31). Em outras palavras, conversavam sobre a paixão, morte e ressurreição de Jesus:
“Pedro então tomou a palavra e disse a Jesus: ‘Rabi, é bom ficarmos aqui. Vamos fazer três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias. Na realidade, não sabia o que devia falar, pois eles estavam tomados de medo.” Os discípulos retratados no ícone caídos por terra revelam o profundo contraste experimentado por eles diante de tão grande revelação: num primeiro momento o temor, que é próprio do contato com o mundo sobrenatural. Como vemos, na bíblia, acontecer com todos aqueles que tiveram alguma forma de contato com Deus; em seguida, têm uma experiência de felicidade, de paz e de alegria como uma forma de participação da eternidade. Isso faz com que Pedro diga: “é bom Senhor, estarmos aqui”.
O pedido de Pedro para construir três tendas pode ser compreendido de uma forma mais profunda a partir da promessa de Deus de que armaria sua tenda no meio do seu povo nos tempos messiânicos. Assim, Pedro, que já tinha reconhecido Jesus como o Cristo, intui que os tempos messiânicos tinham chegado (cf. livro “Jesus de Nazaré” 1ª parte – Bento XVI). Pedro, assim, entendeu que, no momento da Transfiguração aconteceu o que é dito na tradução literal do prólogo do evangelho de João: “o verbo se fez carne e armou sua tenda no meio de nós e nós vimos sua glória” (Jo 1,14)
Desceu, então, uma nuvem, cobrindo-os com sua sombra. E da nuvem saiu uma voz: “Este é o meu Filho amado. Escutai-o!” Este é o clímax do desenrolar da cena. É a palavra do Pai que dá sentido a tudo o que está acontecendo, quando ele diz: “este é meu filho muito amado. Escutai-o!” Todos os fatos, palavras e acontecimentos servem como uma moldura para que a palavra do Pai possa ser entendida e acolhida com a força que lhe é devida. Esta é a mensagem central: Jesus é a plenitude da revelação; o filho muito amado do Pai; é nele, por ele e para ele que existem todas as coisas. Só podemos conhecer Jesus profundamente quando contemplamos sua relação eterna de amor com o Pai. E isto acontece quando escutamos as palavras de Jesus reconhecendo que ele é Deus, que se fez homem e armou sua tenda no meio de nós.

No Movimento da Transfiguração somos chamados a fazer essa experiência da transfiguração de Jesus todas as vezes que, através da oração, da leitura da Palavra de Deus e da liturgia, buscamos a face de Deus. Nós somos chamados a viver uma oração profunda, intensa e contemplativa que transfigure a nossa vida. Que, através desta oração, a luz de Cristo que recebemos na nossa mente e nosso coração possa iluminar nossos pensamentos e atos e, assim, transbordar para todos aqueles que nos cercam.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

A Basílica da Transfiguração


A Basílica da Transfiguração está em cima do monte Tabor. Foi construída em 1924 sobre as ruínas de uma antiga igreja bizantina, para fazer memória do local da transfiguração de Jesus. Foi edificada como se fossem três tendas: a nave central é a de Jesus e as duas capelas laterais são dedicadas a Moisés e Elias, formando assim um conjunto de três tendas. Internamente ela é dividida em Basílica inferior e Basílica superior. A Basílica inferior é utilizada para pequenos grupos e a Basílica superior é usada para grandes celebrações.
Em maio, quando estivemos lá, celebramos na Basílica inferior, local muito aconchegante para celebrar com um pequeno grupo.
Veja abaixo algumas fotos:






Bento XVI fala sobre a Transfiguração no ângelus
Fundação da Associação Movimento da Transfiguração
Encontro do Movimento da Transfiguração em Salvador

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

O monte Tabor





Nesses dias que antecedem a Festa da Transfiguração, dia 06 de agosto, estamos postando temas relacionados com a Transfiguração. O monte Tabor, segundo arraigada tradição, foi o monte no qual Jesus se transfigurou diante dos apóstolos: Pedro, Tiago e João.
O monte Tabor tem 588 metros de altitude e é localizado na região da Galileia, a 17 km a leste do mar da Galileia. É um local de uma beleza impressionante, especialmente a vista lá de cima, onde podemos contemplar toda a planície da Galileia.
Em maio deste ano, o Movimento da Transfiguração realizou uma Peregrinação a Terra Santa. Tivemos a oportunidade de subir ao monte Tabor. É realmente um local que não é necessário fazer esforço para ter um encontro com Deus.


Foto aérea do Monte Tabor


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